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  Música, pintura ...   apelo místico   

Ecce Homo

Teresa de Saldanha tinha um raro talento para as artes de música e pintura. Foi a sua própria mãe que a iniciou nessas artes. Era das melhores discípulas do grande mestre Mazoni. Tocava umas poucas de horas por dia, tocando lindamente, animando festas e celebrações religiosas.

Na pintura, o seu primeiro mestre foi Mr. Leberthais, que, ao morrer em 1852, é substituído pelo mestre Tomás José da Anunciação.

Em 1853, iniciou-se nas técnicas de aguarela e óleo onde revela grande talento ao pintar paisagens. Tinha, além de grande habilidade, o raro talento de saber compor bem as cores, de modo que os quadros que deixou pintados e que ainda hoje existem são quase obras primas. Foi a iconografia religiosa que nela despertam maior entusiasmo. Ao pintar o Ecce Homo, Jesus Cristo, o Filho de Deus condenado e crucificado, Teresa sentiu o seu primeiro grande apelo místico. Além deste quadro pintou Nossa Senhora, o Sagrado Coração de Jesus, Santa Rosa de Viterbo. Entre os vários quadros, Teresa deixar-nos-á um notável auto-retrato acompanhada dos irmãos e cunhada.

A sua obra pictórica foi estudada, entre outros, por António Quadros, numa conferência proferida nos 150 anos do seu nascimento, na Fundação Calouste Gulbenkian, sob o título Romantismo e Misticismo na Pintura de Teresa de Saldanha, Lisboa, 1987.


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