| Pode o olhar ficar indiferente aos crucificados da História, que ninguém vê, nem chora ? |
Este grito de Teresa reflecte bem a sua inconformidade perante o sofrimento injusto do seu povo. Efectivamente, os pobres e os doentes estavam, na maior parte dos casos, abandonados à sua própria sorte. A juntar-se à deplorável situação das pessoas do campo, surge o proletariado, causado pela liberalização da economia. O estado não intervém e os pobres são cada vez mais numerosos. Os salários são de miséria. Teresa preocupa-se com a situação do seu povo, definhado por trabalhos e doenças, crianças privadas dos seus direitos mais elementares, raparigas obrigadas a árduos trabalhos, mergulhadas na mais dura ignorância.
O seu projecto está canalizado numa acção libertadora: "Temos de salvar os filhos do nosso povo" ressalta constantemente dos relatórios da Associação Protectora das Meninas Pobres que fundou aos dezoito anos, para a educação de crianças carentes, alfabetização e promoção de raparigas operárias das nascentes fábricas de Lisboa.
Fundou também uma Congregação Religiosa voltada para a promoção dos mais desfavorecidos. Ela própria assim escreve:" ... a falta tão grande de uma Congregação, que se dedicasse ao serviço dos pobres e educação de crianças, fez-me desejar trabalhar imenso para realizar o meu sonho."