| Uma mulher do seu tempo, que ultrapassou o seu tempo |
Teresa de Saldanha foi uma mulher do seu tempo, que ultrapassou o seu tempo. Sem fugir aos desafios do presente, soube abrir as portas do futuro. Tudo, porque teimou em ver com o coração o que os olhos lhe mostravam; porque entregou às exigências da fé, o que lhe moveu os sentidos; porque deu valor divino ao que estava desqualificado dos valores humanos.
Foi uma cristã leiga comprometida, que encontrou, ao saldar os compromissos apostólicos que lhe eram próprios, caminhos novos que a levariam mais além, de modo permanente, com generosidade redobrada e novas possibilidades de bem fazer. Encontrou, ainda, a urgência de responder à moção do Espírito que a viria a multiplicar em todas aquelas que penetraram no seu segredo e se dispuseram a viver a mesma aventura.
Foi a vida real e as pessoas concretas que lhe foram moldando o coração. Tanto para a delicadeza dos salões, como para a compreensão das misérias; tanto para a senhora com os fidalgos, como para a serva com os necessitados; tanto para tocar o coração dos ricos à generosidade, como para o dos pobres ao amor misericordioso. Teresa de Saldanha soube ser mestra, porque sempre soube aprender com Deus, com as pessoas e com as circunstâncias. Por isso fez escola.
Os tempos eram difíceis e os desafios incómodos. Passar ao lado ou enfrentar as situações era a alternativa dos caminhos possíveis. As preocupações da fidalguia naquele século, não muito distante do nosso, andavam, normalmente, por ruas diferentes das que trilhavam os simples e os pobres. E até o clero se embrenhara nas lutas e querelas, sem tempo para o Evangelho e para as suas exigências. Por tudo isto, é mais eloquente o testemunho de Teresa de Saldanha. No meio das preocupações dos grandes, entre os quais vivia, conseguiu ouvir o clamor dos pequenos e deitou mãos a uma causa que os iria proteger.
Para nunca mais parar.